terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Dia 29/01: Dia da visibilidade Trans - O que a Psicologia tem a ver com isso?


- “Ser Trans no Brasil é Transgredir” (Marina Reidel) 


Ao considerar que uma das premissas básicas – se não a principal – da ética da profissão na Psicologia é a prática da não estigmatização do sujeito, é dar lugar e voz a minorias sociais, minorias essas que não são consideradas como tais por seu menor número populacional, mas sim, pela sua invisibilidade social, torna-se essencial e indispensável levantar a discussão do dia de hoje: Dia 29 de Janeiro, dia da visibilidade Trans (travestis e transexuais).
            É possível nos questionarmos por que a necessidade de um dia para ser marcado e dedicado à visibilidade Trans. Em uma sociedade que, reforça estigmas, insiste em invisibilizar e retirar lugar destes sujeitos na sociedade, dedicar um dia para marcar e tornar visíveis sujeitos tão marginalizados no dia a dia torna-se indispensável para dar lugar e espaço à luta contra a transfobia, à ocupação dos espaços, ao rexistir de uma população estigmatizada nos demais dias do ano.

O CFP publicou, no ano de 2018, uma resolução que oferece normas técnicas de atuação para psicólogos em relação às pessoas transexuais e travestis, reafirmando a defesa da expressão singular dos sujeitos e a não patologização enquanto referenciais éticos para a profissão. A possibilidade de ter acesso ao Nome Social (Decreto nº 8.728/16) quando em espaços públicos é uma conquista ainda em implementação. Pois, para além do que está previsto em leis e normativas, sabe-se que o acesso a direitos e à convivência em sociedade dependem, principalmente, de uma mudança na lógica de marginalização de corpos e expressões de gênero que fujam à heteronormatividade.
            A transexualidade é vivenciada através do corpo. Isso significa que, não é possível omiti-la ou escondê-la, isto é, para um sujeito trans vivenciar essa experiência, a visibilidade física é necessária, visto que é o corpo que dá lugar à sua identidade. Que essa visibilidade não seja mais apenas física, mas também referente ao acesso a direitos humanos, à dignidade, ao respeito. É acolher e dar voz à subjetividade e singularidade de cada sujeito.
Nós, profissionais da psicologia, gostaríamos de parabenizar no dia 29 de janeiro a todxs que nos demais 365 dias do ano rexistem, se fazem existir e transgridem em uma sociedade que, a todo momento, insiste em reforçar a invisibilidade e oprimir aquelxs que fogem à norma. 

De autoria de Jordana Rodrigues da Silva (CRP 07/25.204) e Larissa Goya Pierry (CRP 07.25.248).

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